行政長官辦公室 Gabinete do Chefe do Executivo
Discurso do Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, na Cerimónia de Abertura da XIII Conferência do Fórum dos Presidentes dos Supremos Tribunais de Justiça dos Países e Territórios de Língua Portuguesa
Fonte : Gabinete de Comunicação Social
2025-10-20 10:10

Digníssimos presidentes e representantes dos Supremos Tribunais de Justiça dos Países e Territórios de Língua Portuguesa,

Caros convidados,

Senhoras e senhores:

Muito bom dia a todos!

Permitam-me, antes de mais e em representação do Governo da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China, expressar os votos de boas vindas a todos os amigos oriundos dos tribunais dos países de língua portuguesa!

Há vinte e dois anos, foi em Outubro de 2003, exactamente em Macau, que se realizou a V Conferência dos Presidentes dos Supremos Tribunais de Justiça dos Países e Territórios de Língua Portuguesa. Foi a primeira Conferência organizada pela RAEM, com a cerimónia de abertura presidida por mim, na qualidade do presidente do Tribunal de Última Instância da RAEM. Testemunhei o estabelecimento do «Estatuto do Fórum» e presenciei a criação do seu secretariado permanente e do regime de reuniões periódicas. Institucionalizou-se assim, oficialmente o início da cooperação da «grande família judiciária de língua portuguesa». Hoje, na qualidade do Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau, apresento a todos vós, novos e velhos amigos que «regressam a casa», saudações de muitas boas vindas. É com grande honra que me reúno convosco, aqui, para debater em conjunto o futuro!

Passados largos anos, este reencontro traz consigo a memória da história, e mais importante, gera esperança para o futuro. Ao longo destes vinte e dois anos, esta ponte judiciária intercontinental, obra da união dos nossos esforços, cresceu de seis sementes e tornou-se uma árvore gigante que cobre quatro continentes. O Fórum tem abordado temas cada vez mais aprofundados na experiência, da «necessidade de uma reforma judiciária» à «autonomia administrativa e financeira dos Serviços dos Tribunais como garante da independência judiciária», do «papel do Judiciário perante a globalização» ao «judiciário e novas tecnologias», demonstrando a elevação constante da nossa consciência sobre o valor do Estado de Direito. A RAEM passou de um novo membro do Fórum para um participante e promotor activo, o que demonstra a salvaguarda firme da independência judiciária sob o princípio «um país, dois sistemas». A RAEM goza, conforme a Lei Básica, do poder judicial independente, incluindo o de julgamento em última instância, o que nos permite consolidar, dentro do enquadramento legal, o Estado de Direito, e, com as vantagens únicas do bilinguismo sino-português, nos tornarmos naturalmente a ponte entre a China e o mundo lusófono. A vossa vinda representa o elevado reconhecimento do progresso do Estado de Direito em Macau, e mais importante, proporciona-nos um forte estímulo para continuar a escrever novos capítulos de «Macau alicerçada no Estado de Direito».

Esta edição da Conferência tem como tema «O Direito e a Justiça como factor de aproximação dos povos e seu desenvolvimento económico-social». Como há pouco referiu a Senhora Presidente do Tribunal de Última Instância, Dra. Song Man Lei, o Direito não apenas estabelece as regras que definem a quem pertencem direitos e obrigações para prover à resolução de conflitos, mas, e mais importante, é a arte de «orientar o povo e concretizar o ideal de justiça e paz». A justiça não é apenas um espelho do desenvolvimento social, mas também uma força dinâmica que o impulsiona. Perante as grandes mudanças, sem precedentes nos últimos cem anos, o que o mundo precisa é o diálogo e não o confronto, a cooperação e não a divisão. Mais do que em qualquer momento do passado, precisamos de usar a certeza jurídica para contrariar as “variedades do mundo”, de usar a imparcialidade do sistema judicial para proporcionar garantias ao desenvolvimento socioeconómico, e de usar o carácter aberto do Estado de Direito para aproximar as nações e os países. Os países de língua portuguesa abrangem a Ásia, a África, a Europa e a América Latina, com uma população de quase 300 milhões de pessoas. A China é a segunda maior economia global e a construção da Grande Baía Guangdong – Hong Kong – Macau está em pleno desenvolvimento. Macau zela pela defesa de «um país» e aproveita as vantagens do segundo sistema, com as suas características proporcionadas pela fusão das culturas chinesa e ocidental é totalmente capaz de realizar um desempenho de qualidade e de promover a «interligação jurídica, a confiança mútua a nível judiciário e benefícios mútuos para o Estado de Direito» com leis claras que aumentam a confiança dos investidores, uma justiça eficiente que garante o cumprimento de contratos, mecanismos alternativos de resolução de litígios que reduzem os custos de transacções, justiça e imparcialidade que consolidam a ligação entre os nossos povos.

Minhas Senhoras, meus senhores, o Estado de Direito é a civilização e linguagem comum da Humanidade, a cooperação é o tema eterno do desenvolvimento. Há mais de vinte anos plantámos sementes de cooperação, intercâmbio e aprendizagem mútua em Macau que agora floresceram bem. Hoje, vamos aproveitar esta Conferência como um novo ponto de partida e promover o Direito como um elo para a harmonia entre povos e um motor para o desenvolvimento económico.

Neste momento, gostaria de evocar uma frase dita por mim há vinte e dois anos na mesma ocasião: «a justiça para o povo é alcançada através dos seus tribunais». Hoje, vamos avançar ainda mais: a harmonia entre povos e a prosperidade mundial serão certamente alcançadas através da comunhão na crença no Estado de Direito e da cooperação judiciária!

Por último, faço votos do maior sucesso para esta Conferência e a todos os presentes expresso votos de uma colheita abundante e profícua na troca de experiências e conhecimento e de uma estadia inesquecível em Macau!

Obrigado a todos!

Chefe do Executivo, Sam Hou Fai , discursa na cerimónia de inauguração da XIII Conferência do Fórum dos Presidentes dos Supremos Tribunais de Justiça dos Países e Territórios de Língua Portuguesa.
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